
Como evitar que um “não” vire uma tragédia, assim como no caso recente do menino de 14 anos que matou os pais e o irmão de 3 anos? A investigação apresenta duas hipóteses para o crime: a primeira é a de que os pais do adolescente não deixaram ele visitar sua namorada virtual, com quem se relacionava, desde que ele tinha 8 anos e ela, 9. A segunda hipótese é motivação financeira.
Não conheço o caso e por isso não posso ensaiar qualquer hipótese diagnóstica para o menino. Mas, algumas perguntas podem ser feitas nesse caso.
Como anda a sua relação com seus filhos? Vocês conversam? Você conhece seus amigos e amigas? Sabem se eles gostam de alguém para além da amizade?
Você tem algum controle ou conhecimento sobre o que fazem enquanto estão trancados em seus quartos usando seus computadores ou celulares?
Veja: jamais sabemos o que se passa na cabeça do outro. E com os filhos não seria diferente. Podemos ter a convicção de que estamos educando, mas todas as referências e opiniões podem estar vindo de alguém totalmente desconhecido que está do outro lado da tela.
Por isso, todas as referências na área de saúde têm sublinhado a importância de afastar as crianças das telas e trazê-las para o convívio presencial.
Não sabemos qual a profundidade da patologia desse menino. Mas sabemos que nem todo adolescente muito comprometido mentalmente, assasina seus pais e irmãos.
Por isso, depois de muitos anos trabalhando incansavelmente com crianças e adolescentes, eu posso te dizer. Os sinais de alerta são sutis e devem ser levados muito a sério. Não permita que a sua onipotência te cegue e impeça de ver que há uma criança na tua casa clamando por atenção e cuidado.
Fique alerta e esteja próximo. Converse, brinque, procure outros adultos que convivam com a criança. Vá até a escola e escute sobre suas condutas. E, por fim, busque ajuda.
Dificuldades em saber perder, não se sentir pertencendo a um grupo, fazendo qualquer coisa para pertencer, faltar com a verdade, criar subterfúgios ou desculpas para os próprios atos são comportamentos preocupantes. Quando uma família morre pelas mãos do próprio filho, a sociedade está nos dando um recado muito claro: há muitas coisas que se passam com as nossas crianças e que escapam muito ao nosso suposto controle.
Evite surpresas desagradáveis no futuro. O dia para ajudar seu filho ou filha é exatamente hoje.