logo-img
  • Home
  • Sobre mim
    • Trajetória Profissional
  • Consultório
    • Atendimento crianças. adolescentes e adultos
    • Orientação Profissional
  • Palestras e Cursos
  • Diário de Bordo
  • Contato
15 de junho de 2022

E quando o jogo da discórdia acontece no ambiente escolar?

Na última edição do programa televisivo Big Brother Brasil uma das novidades foi o chamado “jogo da discórdia”. Pela “telinha” os espectadores do reality puderam presenciar encontros onde um dos participantes tinham suas características mais “negativas” sublinhadas pelos outros, num ritual de exposição bem compatível com a proposta do programa, mas com o requinte de humilhação próprio dos grupos quando se juntam para desqualificar uma ou mais pessoas.

Na verdade, essa não seria a primeira vez na qual um veículo midiático sugere ao público que valores como a vergonha pública, a crueldade e a falta de sensibilidade no trato com o outro é algo cabível. Deste modo, milhares de lares são invadidos pelos exemplos mais nefastos de convivência e banalização da violência. Até aqui, tudo absolutamente dentro do propósito de um programa que se utilizará de todos os artifícios para manter e ampliar sua audiência.

As consequências teriam sido menos graves se parte da audiência do programa, composta por adolescentes, não tivessem, seguindo o exemplo oferecido, levado o mesmo jogo para o interior das escolas.

Entretanto, o fato é que, passados alguns meses do fim do reality, ouvimos relatos nos quais o jogo, com ou sem adaptações, tem sido praticado em ambientes escolares. No Distrito Federal, a diretoria de ensino das escolas públicas, relatou, em março deste ano, episódios de violência física decorrentes da contrariedade vivida por jovens ao se verem expostos pelo conteúdo do jogo.

Do mesmo modo, instituições de ensino da rede privada apelam para o compartilhamento da situação com as famílias ou mesmo necessitam interferir após sentimentos de mágoa, tristeza e profundo desconforto serem relatados pelos seus estudantes ao fim da realização do jogo.

Como se as equipes escolares não tivessem muito trabalho, como se a adolescência já não fosse uma fase sensível ou como se os efeitos do isolamento social provocados pela pandemia da Covid-19 não fossem suficientes, surge esse novo desafio a ser equacionado no ambiente escolar.

É certo que o “jogo da discórdia” pode ser classificado como uma modalidade de intimidação sistemática também conhecida como Bullying. A exposição de um ou mais adolescentes nessa atividade, que pode acontecer até mesmo na própria sala de aula, no intervalo entre as aulas ou momentos antes do recreio,  traz alguns pontos que são passíveis de reflexão.

Numa sociedade polarizada, na qual o discurso de ódio e a hostilidade vêm sendo praticados recorrentemente, que instituições, além da própria escola, são responsáveis por tentar trazer à tona a cultura da paz ou da não violência, o diálogo civilizado como forma de apresentação das opiniões e o incentivo ao respeito?

Não é mais concebível que sobre as escolas recaia toda a responsabilidade em “aparar as arestas” deixadas pela exposição das crianças e adolescentes ao ambiente midiático, às redes sociais ou as hashtags bombásticas que fazem com que grupos inteiros pratiquem as mais variadas formas de agressão.

Se a escola tem a responsabilidade de trabalhar aspectos como a empatia, a tolerância, a convivência educada e os relacionamentos saudáveis, não é possível que ela se mantenha “enxugando gelo”, quando outras instituições da sociedade não se responsabilizam pelo incentivo que promovem à agressividade destrutiva e aos rituais de desqualificação pública dos sujeitos.

Em 2021, a UNESCO nos apresenta a cartilha: “Paz, como se faz? Semeando cultura de paz nas escolas”, assinada pelas autoras Lia Diskin e Laura Roizman. Além disso, estabelece que a cultura da paz está na ordem das prioridades no que tange às orientações relativas às práticas de ensino. Muito fecundo e necessário, esse trabalho. Mas, será que não seria momento de avançarmos? Que espécie de estratégia ou crivo crítico podemos lançar sobre os veículos midiáticos, sobre as redes sociais ou mesmo  sobre os programas de incentivo à cultura?

Se não temos respostas prontas para estas perguntas e sabemos que essa é uma equação bastante difícil, devemos concordar que a promoção de sofrimento para as crianças e adolescentes do nosso país tem que cessar. Os riscos são grandes e desde a família até o conjunto da sociedade temos sofrido os impactos de gerações mais vulneráveis, angustiadas e mergulhadas na desesperança.

Será que não é hora de fazermos eco às vozes que pedem paz e cultivam a não-violência? Espero que sim!

8 de junho de 2022

Quando a escola deve sugerir que um aluno procure um psicólogo fora do ambiente escolar?

Há muitas dúvidas diante dessa questão entre os próprios alunos. Como já falamos aqui, o psicólogo escolar age de forma distinta de um psicólogo clínico. Porém, quando se observa a necessidade de um encaminhamento psicológico mais individualizado, o psicólogo escolar deve sugerir aos responsáveis que busquem o auxílio de um profissional da psicologia clínica.

Mas, afinal, quais devem ser os principais motivos para tal encaminhamento?

Cada escola trabalha com uma metodologia diferente, muitas utilizam fichas de encaminhamento, onde estão sinalizados os comportamentos observados no estudante, que indicariam a necessidade de um atendimento fora da escola. Normalmente, nessa ficha encontram-se as seguintes características:

  • Agressividade;
  • Apatia (desinteresse, lentidão, tristeza, timidez);
  • Choro excessivo e frequente;
  • Ansiedade aumentada;
  • Dificuldade de socialização;
  • Resistência em ir à Escola;
  • Medos excessivos;
  • Fantasia excessiva (mentiras, relatos contraditórios);
  • Problemas de aprendizagem;
  • Suspeita de dislexia;
  • Suspeita de TDAH;
  • Suspeita de deficiência intelectual;
  • Funções mentais prejudicadas (memória, atenção);
  • Dificuldades de compreensão e execução de tarefas;
  • Suspeita de altas habilidades/superdotação.

Entretanto, há instituições de ensino que utilizam outra forma de trabalhar, que seria a de registros feitos durante entrevistas com cada estudante ou fruto de observações em situações de interações com os mesmos. Pessoalmente, eu prefiro essa segunda modalidade de trabalho, pois não se cria categorias nas quais as características dos estudantes precisem se “encaixar”. Afinal, os estudantes sempre trazem novos problemas e questionamentos que não serão necessariamente previstos em um documento E, quando o setor de psicologia mantém sua escuta aberta e atenta, se torna mais sensível para fazer os encaminhamentos necessários. 

O mais importante é sabermos que quando a família confia na escola a indicação para acompanhamento externo deve ser atendida. Afinal de contas, além do âmbito familiar, é na escola que a criança e o adolescente apresentam suas principais características, seus conflitos, seus padrões de convivência e compartilham seus pensamentos e sentimentos.

Uma equipe atenta e sensível, em geral, só realiza os encaminhamentos quando já se assegurou que todas as alternativas no âmbito da educação já foram esgotadas. Sendo assim, converse com os profissionais que lidam diariamente com seus filhos e sigam suas orientações.

desenvolvimento de habilidades socioemocionais
1 de junho de 2022

A importância do desenvolvimento de habilidades socioemocionais nas escolas

Desenvolver as próprias habilidades socioemocionais permite que o indivíduo estabeleça relacionamentos mais tranquilos e respeitosos com seus pares. Também influencia a saúde mental, já que saber lidar com as próprias emoções torna mais fácil o enfrentamento de desafios.

Empatia, bem-estar emocional, autoestima, ética, paciência, autoconhecimento, confiança, responsabilidade, autonomia e criatividade são as principais habilidades socioemocionais. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o trabalho das competências e habilidades socioemocionais deve ser contemplado no currículo escolar do Brasil. 

No contexto de pandemia, as crianças e adolescentes estavam impedidas de conviverem presencialmente no ambiente escolar. Por conta disso, tais habilidades não puderam ser trabalhadas, já que o ensino remoto limitou muito as possibilidades de atuação junto aos estudantes. Com o retorno ao modo presencial temos a oportunidade de promover seu desenvolvimento.

Mas o que contribui para esse desenvolvimento?

  • As atividades educativas podem estimular criatividade, 
  • O trabalho em equipe é importante para gerar empatia e relacionamentos saudáveis
  • A promoção de desafios, incentiva a autonomia e da inventividade
  • Atividades que motivem a participação do estudante geram maior iniciativa
  • Inclusão escolar gera maior empatia
  • Valorização e reconhecimento dos avanços de cada estudante, para o desenvolvimento de autoconhecimento, confiança e responsabilidade
  • Atividades de raciocínio lógico 
  • Propostas com música e arte são essenciais, como já falamos aqui no blog.

Quando pensamos, por exemplo, nas propostas para o novo ensino médio, vemos que esse inclui o trabalho com oficinas. Com atividades voltadas para o cotidiano de maneira reflexiva e inventiva. Estas oficinas proporcionam aos estudantes não somente o acesso ao academicismo tradicional, mas vai adiante quando os envolve no fazer de cada atividade.

Por isso, muitas escolas se anteciparam agregando esse trabalho no Currículo Comum e aquelas que não o tinham feito, estão com a incumbência de adaptar seu modelo de Ensino Médio às novas propostas.

Veja, que uma educação mais conectada com a realidade externa à da escola vem sendo cada vez mais necessária e já é uma exigência na realidade das escolas.

Gostou? Podemos utilizar projetos escolares para facilitar o desenvolvimento dessas habilidades socioemocionais, você sabia? Se achou interessante, fiquem atentos ao lançamento do meu curso sobre projetos nas escolas!

25 de maio de 2022

Educação domiciliar: quais são as implicações, caso seja aprovada pelo Senado?

Na Câmara dos Deputados, o projeto já foi aprovado. Aguardamos sua tramitação pelo Senado Federal.

O espaço escolar é muito mais que apenas um local acadêmico, é também onde nossos jovens irão desenvolver habilidades socioemocionais e de socialização com outros colegas, ou seja, um dos principais ambientes para o início da vida em sociedade. 

Educação domiciliar já foi discutida e vetada

Em 2018, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que não seria permitido o ‘homeschooling’ com a justificativa de que é necessária a frequência das crianças na escola, pois os estudantes deveriam ter acesso à convivência com diferentes valores, crenças e origens para seu melhor desenvolvimento social. 

Entretanto, há opiniões divergentes sobre o assunto como, por exemplo, a dificuldade de inclusão em relação a crianças atípicas nas escolas. Porém, deveria ser de responsabilidade do Estado garantir inclusão no espaço escolar, ao invés de desistirmos da instituição escolar por algo que nela precisa ser remodelado. Os Alunos neuro divergentes também têm o direito e necessidade de viverem no ambiente escolar. Além disso, os outros estudantes são beneficiados também, tendo a oportunidade de conviver com diferenças desde cedo, trabalhando a empatia e responsabilidade com o próximo.

Há também responsáveis que acreditem que com a educação familiar pode oferecer o ensino de acordo com suas crenças e valores pessoais. Por exemplo, uma educação religiosa voltada aos princípios que aquela família acredita. O que é preocupante nesse caso é a doutrinação, levando em conta que essas crianças terão acesso apenas a o que as é apresentado e com isso não conseguirão obter conhecimento sobre a diversidade, o que pode gerar mais preconceitos no Brasil, um dos países com maiores taxas de denúncias por intolerância religiosa, entre outras.

A discussão do ensino domiciliar no contexto pós-pandemia

Caso acompanhe meu perfil regularmente, você deve se lembrar sobre as vezes que eu falei em relação ao cenário pós-pandêmico e como impacta a volta às aulas presenciais. Foi mostrada uma mudança de comportamento radical dos estudantes e aumento significativo na violência escolar. 

           Imagine agora como seria se o ‘homeschooling’ fosse regulamentado? Como cresceriam essas crianças sem nunca ter o mínimo de acesso à convivência com grupos de pares? O abuso infantil, infelizmente, é uma realidade no Brasil e a educação domiciliar involuntariamente promove a facilidade para que tais atos continuem acontecendo com maior frequência.

          O mais curioso no projeto é que ele apenas contempla as famílias cujo, pelo menos um dos pais possui curso superior completo ou de tecnólogo. Ou seja, ele é de caráter elitista e desobriga somente os filhos mais privilegiados da nossa sociedade à convivência escolar. Por outro lado, ele gera novas demandas e obrigações para os conselhos tutelares, já tão onerados em suas funções e para as próprias escolas que adotarem as matrículas sobre a forma de homeschooling.

Afinal, o ensino domiciliar é benéfico para quem?

A pergunta que precisa ser feita é, nessas condições, a quem o ensino domiciliar realmente contempla? Aos interesses gerais de uma sociedade que necessita de uma população educada e em condições de convívio respeitoso em sociedade ou àqueles que pretendem blindar seus filhos e filhas de influências externas aos seus lares?

Na verdade, tal projeto vem de encontro tão somente à alegação de que a escola apresenta possíveis influências deletérias ao crescimento dos estudantes. Vejamos, os educadores recebem formação específica e, através dos relatos dos egressos da escola básica são de importância fundamental para sua formação acadêmica, pessoal e coletiva. Portanto, a dúvida acerca do impacto da escola sobre crianças e adolescentes me parece infundada.

Deste modo, repito aqui o slogan que afirma “lugar de criança é na escola”. Sim! Lugar de criança é na escola que deve garantir condições de respeito, dignidade, escuta, acolhida e ser suficientemente desafiante para provocar seu crescimento, sua construção de conhecimentos e sua formação para uma vida cidadã. 

5 de maio de 2022

Importância da esperança na adolescência

A depressão na adolescência se tornou ainda mais frequente no período pós-pandêmico. Ela é um sofrimento psíquico que provoca alterações no humor e desordem emocional, devendo ser tratada com seriedade, responsabilidade e empatia por nós,  profissionais de psicologia.

Devemos saber diferenciá-la da tristeza. Por exemplo, um evento como a morte de um familiar desencadeia o período de luto na vida do sujeito, mas pode ser um período passageiro de entristecimento proveniente da perda, não significando necessariamente, sinal de depressão.

Por isso, a esperança é um atributo fundamental para ser desenvolvido nessa fase. Ela significa: a  fé corajosa no futuro, a cura de uma doença, a realização de um sonho, a espera pela vitória e a expectativa sobre dias melhores. O sentimento de esperança é uma ferramenta potente no combater a depressão.

O suicídio é a segunda causa de morte mais frequente entre adolescentes, mas de acordo com a OMS, a prevenção pode funcionar em 90% dos casos e não precisamos esperar o “setembro amarelo” para falarmos sobre isso.

Mas, afinal, como identificar um adolescente em depressão no meio escolar?

As mudanças de humor podem ser grandes indicadores, mas não apenas de tristeza, a raiva excessiva é bem comum nesses casos. Queda do rendimento escolar também é um agravante, mas ao mesmo tempo pode ser causada por outros motivos. Alterações no sono e apetite e automutilação são fortes indicadores, porém, para percebê-los deve haver atenção e boa comunicação entre o profissional de psicologia, os estudantes e professores.

Se há a externalização de pensamentos sobre suicídio por mais sutis que sejam, ele  é outro fator de alerta fundamental. Além disso, os sintomas físicos também podem aparecer por meio de dores musculares, dor de barriga, constipação, dor de cabeça, enxaqueca, bruxismo, dentre outros.

Quando identificado, o que o profissional de psicologia escolar pode fazer?

Primeiro, oferecer a escuta e acolhimento é fundamental, mostrando que o jovem não está sozinho e que pode confiar no apoio da escola. A comunicação com os responsáveis é importante, mas tudo deve ser feito incluindo o adolescente, pois gera o sentimento de confiança no jovem.

Após isso, a indicação de acompanhamento médico e psicológico deve ocorrer, por isso já devemos ter em mente possíveis indicações, pois nossa atuação de psicólogos escolares não é de consultório, a terapia acontecerá em outro ambiente, podemos contribuir apenas com a identificação do problema e nosso apoio nesse momento.

Gostou? Em breve irei lançar o meu produto fixo de projetos nas escolas, e nele eu falarei sobre prevenção a depressão e suicídio. É um tema de nossa responsabilidade como psicólogos escolares nos atentarmos e lutarmos ao máximo para combater esse problema.

Sobre

Psicóloga, psicanalista, orientadora profissional e palestrante.

  • (21) 99113-3522
  • psi@claudiagindre.com.br

Acesso Rápido

  • Sobre mim
  • Trajetória
  • Atendimento a Crianças, Adolescentes e Adultos
  • Orientação Profissional
  • Palestras e Cursos
  • Diário de bordo
  • Contato

Redes Sociais

Copyright © 2021  Claudia Gindre - Todos os direitos reservados.